Amor, Comportamento, Relacionamento

Namorar sem ar

*Por Priscilla Andrade Camilo

 

A estória é a seguinte. Imagine a cena de uma pessoa em uma piscina mergulhada fazendo apinéia, ou seja testando sua capacidade de ficar abaixo da àgua com menos oxigênio, essa mesma pessoa hipoteticamente, se encontra também apaixonada. A probabilidade dessa pessoa conseguir ficar menos tempo embaixo da àgua sem respirar será menor se ela estiver apaixonada, estando apaixonada, o seu nível de concentração vai para o buraco e literalmente ficará sem ar mais rapidamente.  A paixão tira nosso ar!

A palavra “namorar” sem o “ar” fica “namor” (en+amor), ou seja, o casal fica “em amor” ou enamorado.

A questão é justamente que a maioria quer ficar “em amor”, porém a paixão por vezes nos tira o ar. Deixe-me explicar melhor.

Um estudo publicado pela revista Motivation and Emotion1 da Universidade de Leiden, na Holanda observou que a intensidade da paixão pode estar relacionada ao nível de concentração de uma pessoa, ou seja, quanto mais apaixonada uma pessoa, menor o nível de concentração e maior dificuldade para executar tarefas que requerem mais atenção. A partir desses dados, se uma pessoa estiver mais distraída, desatenta e com baixa capacidade de concentração ela pode estar apaixonada.

Namorar sem “ar” metaforicamente  se relaciona ao estado em que os casais muitas vezes têm receio de namorar, pois temem ficar, tal como num estado fóbico” sem ar dentro de uma piscina funda. Quanto tempo dá para ficar sem respirar?

Uma coisa é ficar sem ar porque se está apaixonada, aquele frio deliciosamente sentido na barriga, como um sinal da paixão que nos traz uma sensação de ficar até sem ar. Agora, outra coisa é o estado fóbico em que alguns relacionamentos são construídos de forma doentia que se baseia na posse, violência, ciúmes e desrespeito. Não existe relação se ambos envolvidos não conseguem respirar. Namorar e amar precisam de ar, literalmente.

Diante desse fato, a construção de um namoro saudável envolve desprendimento, acolhimento, parceria e muito respeito. Gosto particularmente da ideia de que se você quer muito alguém do seu lado, dê asas à ela, pois ela pode até voar, porém, se este for realmente um ninho de amor, tal como um pássaro voará e voltará para o ninho.

 

1- Pinto, Fernando Gomes. Neurociência do amor, Academia, São Paulo, 2017.

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