Mulher, Sociedade

O que cala uma mulher?

*Por Priscilla Andrade Camilo

A questão de dar voz ao feminino é coisa recente na história.

Fica mais fácil resgatar na memória a dominação sofrida pelas mulheres, a polarização que tenta fazer delas seres inferiores e privadas de sua subjetividade, do que imaginarmos uma repleta inversão cultural.

Reality Show

O episódio de um reality show essa semana trouxe uma mobilização do movimento feminista principalmente nas redes sociais, em que a emissora teve que expulsar o rapaz participante, para assim impedir que a violência psicológica por meio de gritos, ameaças e atitudes que caracterizam um relacionamento abusivo fosse impedido. A emissora sendo pressionada por movimentos feministas, e também como temas mais comentados no twitter #EuViviUmRelacionamentoAbusivo e a própria coluna #AgoraÉQueSãoElas mostraram a força dos movimentos de ocupação da mídia por mulheres.

Todos estes movimentos pressionaram a emissora que se viu obrigada à dar uma resposta, não só por questões mercadológicas, mas principalmente para atender os desejos de seu maior público que são as mulheres, mudando assim um padrão de silenciamento.

O que durante muito tempo fez com que as mulheres se calassem nos espaços público foi o fenômeno de que sua voz seria abafada no meio da multidão de vozes graves uníssonas masculinas. Por meio de muitas lutas e  embates desde o século XIX chegamos até aqui ocupando alguns espaços públicos, no entanto, estas mesmas vozes nem sempre são ouvidas.

Resposta Virtual

O espaço virtual que agora desponta com alguns lapsos de realidade abre espaço para as vozes femininas não se calarem, vozes indignadas que não querem lançar lentes de oposição homens/mulheres como uma criação masculina, ao contrário as mulheres querem criar a partir delas mesmas um espaço que pode ser vivido por todos, homens e mulheres eliminando oposições e hierarquias.

O que sempre calou as mulheres foi a falta de espaço e falta de escuta. Muitos séculos de silêncio parece agora falar mais alto.

Agora, o espaço existe e a força maior têm vindo do espaço virtual. A escuta, esta também já está pronta, pois o ato de escutar é dar voz ao outro. O que aconteceu nesse reality show, embora, tenha sido real, também foi uma grande metáfora do cotidiano de muitas mulheres que não se apropriaram do seu espaço e da escuta. O episódio ocorrido pode estar à serviço dessa necessidade das câmeras dar um foco maior às estatísticas de altos índices de violência contra a mulher, embora ainda se legitima as ações de agressores, dado que em posições estratégicas a maior ocupação ainda é masculina.

Enquanto as mulheres não ocuparem os espaço públicos, tais como instâncias estratégicas como elaboração de leis, posições de poder nas instituições públicas e privadas e engajamento público será mais difícil ampliar o que se alcançou até aqui, embora, há de se comemorar alguns significativos avanços de ocupação feminina.

 

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