Menos “clicks” Mais “touch”

Por Priscilla Andrade Camilo

Já é possível através de um programa saber quantos clicks seu dedo distribui pela web. Eu presumo que alguns sujeitos que não saem de frente do computador, se soubessem quantos clicks distribuem por aí afora ficariam assustados.

Sabemos que a  métrica dos clicks serve para conhecer muito sobre o perfil do usuário, quais sites mais se acessam, o que ele compra, qual sua rede de relacionamentos e por aí vai, servindo-se destes dados, o mercado àvido por informações, se apropria disso oferecendo novos serviços a partir de um perfil de clicks.

Eu presumo que vivemos atualmente na sociedade mais clicks e menos touch.

Aqui a palavra “touch” foi apropriada do termo em Inglês que significa em Português “toque”, “contato”, “ligação”, “tato” e traduzindo em miúdos tocamos de menos e acessamos demais, ligamos de menos e clickamos demais, contatamos de menos e clickamos demais.

Não sou absolutamente contra às tecnologias, muito pelo contrário, no entanto, se torna intrigante quando vemos que a virtualidade tem tomado conta da realidade dos indivíduos. Eu observo pessoas que conversam mais, se relacionam mais e tem mais amigos na comunidade virtual do que na vida real.

Existe uma tendência que quanto mais se investe no tipo de relação virtual mais se desconecta do real, são verdadeiros “Avatares” (representação virtual) em que possui uma grande presença virtual e pouca real. Uma vez que isso acontece, estes Avatares” no mundo real   são indivíduos que quando estão juntos na realidade não sabem se comunicar, tendem à ser superficiais nas relações e seu repertório de assuntos e meios de acessar o outro são focados apenas no virtual. Essa falta de conexão com o mundo real se caracteriza pelo empobrecimento das emoções, superficialidade e falta do toque, do contato e da conexão com o outro que nós é vital.

Alguns estudos em Neurociências demonstram o que o toque físico é essencial para o pleno desenvolvimento cerebral, é sabido o quanto o nosso organismo necessita do toque do outro, que se dá pelo abraço, pelo aperto de mãos, pelo carinho no ombro e pelos olhos nos olhos. O toque físico atua em nossa fisiologia em causa própria, proporcionando uma melhora do sistema imunológico e o aumento da produção de hormônios que nos causam sensação de bem estar.

As pesquisas neste campo estão apenas começando, porém é notável o quanto esse fenômeno já é observável e seus resultados já podem ser constatados em nossos círculos de relacionamentos, agora imagine esse fenômeno ampliado?

Fica aqui o meu convite à reflexão de como temos vivido em nosso espaço virtual e real. Por uma sociedade com menos “clicks” e mais “touchs”por favor!

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