O velho que quer ser novo

* Por Priscilla Andrade Camilo

Hoje, dia 30 de Dez de 2016, escrevo o último post de 2016 baseando-me no que mais busquei neste ano: estar presente no aqui-e-agora. Deixe -me explicar.

Eu poderia ter escrito o post uma semana antes e só postar no dia 01/01, no entanto, eu perderia a essência do aqui-e-agora. Essa essência do aqui-e-agora a que me refiro são as sensações que vivencio hoje, enquanto escrevo esse post, quais os pensamentos e sentimentos que fluem da minha mente e a possibilidade de escolhas que eu posso fazer.

Um dos maiores desafios da nossa existência é vencer a concorrência de tudo que não favorece essa presentificação. Eu, particularmente, gosto da palavra “presentificação” por considerar um ‘presente’ estar presente nas coisas, nos lugares, nas relações e vivenciar o aqui-e-agora.  O hoje, o agora, o ano de 2016 é tudo que eu tenho agora.

Aqui-e-agora eu posso fazer boas ou péssimas escolhas, ainda que as escolhas de hoje reverberem amanhã. A vida é para ser vivida agora, nesse momento, pois é aqui-e-agora que eu, deliberadamente, escolho o que vai passar em meus pensamentos, não se tornando vítima somente, pois é aqui-e-agora que eu faço um ano velho ser novo a partir das percepções que eu construo do que é ter um ano novo.

O que eu considero fundamental para um ano novo ser novo mesmo é viver o aqui-e-agora no ano velho.

É somente vivenciando o velho que eu saberei o que é vivenciar o novo.  O que está velho em você que precisa ser novo? O velho é o que não presta mais (por isso que não gosto de chamar idosos de velhos). Ano novo só é novo se há espaço para o novo. Móveis novos, utensílios novos não combinam com casa velha caindo as pedaços. Se a estrutura da casa está podre então pior ainda. A estrutura da casa é comparada aos pensamentos e percepções, e os utensílios são os nossos cinco sentidos (visão, audição, tato, olfato e paladar). Mudanças de pensamentos e sentimentos geram novas construções de sentidos, para fazer essa obra faraônica dentro de nós é só no aqui-e-agora e por livre escolha.

Só terei a casa nova de 2017 se eu viver-aqui-e- agora a casa velha de 2016. Não construo a percepção do novo a partir do novo, só através do velho. Se eu sei o que é velho em mim, embora em algum dia até fez sentido e hoje não presta mais, eu saberei de fato o que é novo, o que serve para agora e o que faz sentido para hoje. Ouse jogar fora o que não presta mais,  mas comece por dentro tá?

Viva! Feliz 2017!

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