Amar vem de amor

Amar vem de amor – Riobaldo, em Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa)

O amor é um enigma, existe e deve ser decifrado, mas nunca deixará de ser um mistério.

Este texto foge a tentativa de deixar aqui verdades absolutas sobre o amor. Dada a natureza incompreensível do amor, deixarei aqui algumas tentativas ao falar sobre experiências, observações e especulações da minha trajetória por esse mistério que é o amor.

Em algum momento de nossa vida seremos atravessados pela questão amorosa. Essa constatação prescinde que, em nós, há algo que busca no outro a ideia de completude, no entanto, ao reconhecer essa constatação, o seu contrário também é verdade. Ao reconhecer tal verdade, estaremos órfãos e exilados de nossa precariedade humana compartilhando a condição humana.

Aquilo que nos custa admitir como humanos é a nossa precariedade, de forma que ora sofremos demais por admiti-la ou sofremos por negá-la também. Diante disso o reconhecimento da condição de  tudo que é insuficiente, incapaz, frágil e débil leva-nos ao desejo de compartilhar essa condição. Compartilhamos a condição humana.

Estamos o tempo todo buscando dar sentido à nossa existência, sendo as relações humanas o lugar de busca mas também de sofrimento. Talvez seja essa nossa condição existencial de sofrimento, tal como um exílio que abriga o lugar comum compartilhado com toda a humanidade. Vivemos em um mundo que não há muito lugar para mártires sofredores, ao contrário, estamos ávidos por receitas milagrosas, por  livros que tenham títulos com “10 passos para”, receitas prontas como ser e viver melhor, mas continuamos carentes de espaço para viver o mistério.

Buscamos na linha do horizonte a materialização dos  nossos sonhos, como algo a chegar e a se buscar, isso inclui nossas ilusões e utopias que às vezes nos levar para algum lugar, nem que seja para constatarmos que era só ilusão. Vislumbrar o horizonte também significa travessia, esta,  sempre vem acompanhada de frustração, sofrimento, dramas, desafios e obstáculos que marcam a condição humana. Atravessar sozinho é ruim, estar acompanhado tem obstáculos, mas não queremos nunca atravessar sozinhos. Queremos um outro.

Amar vem de amor. Sofrer vem de sofrimento. Simples e complexo os trocadilhos, ambos demonstram a origem, a essência do verbo que remete ao substantivo amor. Só existe o verbo amar porque existe o substantivo amor. Queremos o substantivo sem o verbo. Queremos o amor sem amar!

Para vivenciarmos as relações temos que passar pela travessia, transformar o substantivo em vontade que é o verbo de ação.

Quem tem o verbo tem o substantivo. Quem tem amor quer amar.

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