O que se faz quando o amor acaba?

*Por Priscilla Andrade Camilo

Vivemos por amor e sofremos por amor. Os mártires morrem por amor. O amor é que nos move, mas também é o que nos paralisa. O amor tranquilo pode até nos dar horas de sono, no entanto, a incerteza sobre se é amado pode também tirar o sono. O amor é o combustível, que em doses NÃO homeopáticas, de tão tóxico, cega os aspectos que não queremos ver no outro.

Até aqui tudo bem, sinal que há amor envolvido, no entanto, quando chega a dúvida se existe ainda amor, as coisas tendem a se complicarem bastante.

Os que já amaram e que hoje estão só, tendem a defender que o amor acaba. Os que estão amando e continuam com seus amores preferem militar que o amor nunca acaba. Antes de tentar responder o que fazer se o amor acabar, vamos trilhar pela estrada se de fato o amor acaba.

No início duas vidas se encontram, sentem-se atraídos, vivem um encantamento. A seguir vem a fase das descobertas, da mútua admiração e, de repente, a paixão já tomou conta um do outro, a ponto de mergulharem fundo numa relação de forma tão completa que, se possível, tornam-se um, ao invés de dois.

Com o passar do tempo, como um processo natural de maturação, a relação vai se transformando, a dependência transforma-se em independência, a heteronímia se transforma em autonomia, e nesse ponto, pode acontecer um certo afastamento. Por mais que seja algo natural, nem por isso, causa um certo estranhamento. Os amantes se perguntam: Como assim? O que aconteceu com a gente? E aqui é exatamente o ponto chave. A partir daqui é quando a relação pode terminar ou se transformar.

Um ponto à que se considerar é que os relacionamentos passam por diversas fases, que por suas particularidades, tais fases, devem ser vividas, sentidas e percebidas como um modo sincrônico do desenvolvimento individual de cada um. Quero dizer que, se um dos parceiros percebe que o que antes lhes vinculavam não os vincula mais, algo se transformou. Em alguns casos os parceiros se perdem exatamente nesse processo, algo não está mais como era antes. Nesse sentido, algo não ser mais como era antes, nem sempre é ruim nem bom, apenas mudanças que devem ser encaradas como naturais, dentro de um âmbito maior que invariavelmente se relaciona ao momento de vida de ambos os parceiros. Crises nos relacionamentos nem sempre é o fim, podem ser também oportunidades. Se não for o fim, será transformação, mudanças de direção que podem trazer aspectos para a relação nunca antes vivenciados.

Se for o fim, o luto é inegociável, refletir essa perda que não é só do outro, mas de algo seu que ficou com o outro deve ser encarado e vivenciado. Qualquer tentativa de jogar anestésicos em algo que para aquele momento deve ser vivenciado, ainda que em meio à dor, será frustrante e pouco solucionador. Vários aspectos podem ser indícios que a intimidade acabou, como a falta de admiração, pouca generosidade de um para com outro, falta da atração física, formas de pensar divergentes, no entanto, o tripé de qualquer relação íntima deve estar apoiada em AMOR, ATRAÇÃO E CONFIANÇA. Se existem ainda no relacionamentos alguns desses três eixos, pode ser que o relacionamento não chegou ao fim.  Se existe o tripé todo o resto pode ser construído. Isso não quer dizer que independente do que o outro faz eu tenho que sentir esses três eixos. Ao agir de forma que você perceba que sou confiável, que posso lhe tratar bem e que posso despertar seu amor por mim são ações que independem do outro. Se um dos eixos desse tripé ainda existe, então a busca de uma terapia para casais pode ajudar. As pessoas que pretendem se separar e não se separam não o fazem muitas vezes pois não estão dispostas à pagar o preço.

Talvez diante de tantos cenários possíveis, seja tempo de valorizar a relação que você tem com a pessoa que escolheu e ambas avançarem para o projeto que os uniu, ou quem sabe encarar a dor da perda como algo transformador e repleto de possibilidades pois ainda há vida.

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