Não dá para amar sem se importar

*Por Priscilla Andrade Camilo

Amar não é coisa fácil. Muitos dizem amar algo ou alguém, no entanto, o verbo amar sem se importar sai da boca, sem lastro.

Amar vem do campo dos afetos, como tal, para amar é necessário afetar-se. Como assim afetar-se? Aquilo que nos afeta também nos importa. Não dá para amar algo ou alguém sem se interessar pelo que o outro sente e pelo seu bem-estar.
Não dá para amar sem se importar! É claro que temos a tendência de se importar com o que está perto, no entanto, pode-se amar também se importando com os que estão longe, como os refugiados da Síria ou as mulheres que são mutiladas na África. No entanto, aqui, quero me deter neste post ao afeto que dedicamos em especial à alguém, ao ser amado seja homem ou mulher.

É interessante observar que muitos duvidam se são realmente amados por seus cônjuges, namorados, noivos e “ficantes”. Não é raro a pergunta: Como sei que Fulano ou Beltrano me ama? Quando alguém o ama de verdade suas ações falam por si. O ser amado é afetado pelo amor do outro e vice-versa. Diante disso, por um segundo, pode-se pensar que amar e demonstrar amor são sinônimos. Amor é um só, as expressões de amor é que são múltiplas. Existe a minha maneira de demonstrar amor e existe a sua maneira de demonstrar amor.

Quando existem problemas acerca das dificuldades de decodificar as maneiras de se amar, se espera que o outro demonstre amor à nossa maneira, pois decodificar as maneiras de amar do outro dá trabalho, nesse sentido, nada melhor que projetar a nossa maneira escolhida como sendo a única correta para se amar. As projeções das maneiras corretas de se amar, em geral, surgem com as iniciais “eu esperava que ele fizesse”, “eu esperava que ela dissesse”, que bem lá no fundo, é a nossa maneira de expressar amor projetado no outro, que nada mais é que um mecanismo de identificação projetiva. Cada um demonstra amor de um jeito peculiar. Pode-se amar muito e demonstrar pouco, mas ainda assim é amor.

A partir dessa ideia, existem maneiras de expressar amor, de deixar-se afetar pelo amor e ser afetado por ele. O único meio seguro de saber se algo é amor, será usando a régua do afeto, quanto mais se importa, quanto mais o bem estar do outro é importante mais próximo esse sentimento está do amor.

Cabe a cada um se dispor em demonstrar esse amor, de forma que aquele que receba, saiba decodifica-lo como tal, se não houver afeto não há amor se não há amor não há afeto.

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