Crise Existencial, você deve saber o que é isso.

*Por Priscilla Andrade Camilo

Que atire a primeira pedra quem nunca sentiu-se em numa experiência de vazio e caos interno, quem nunca se viu melancólico, com questionamentos sobre o que já se fez e não deveria ter feito, ou até que não fez e já deveria ter feito?

Levante a mão quem já chorou por perceber que está remando contra a maré, no entanto, tem uma nítida sensação de que não saiu do velho barquinho. Qual ser humano nunca perdeu algo, rompeu com algo e teve que deixar projetos para trás por motivos que não eram seus. Essa explosão de pensamentos, sentimentos e emoções vividas faz parte da existência de todos, em alguns casos, pode ser uma crise existencial, porque invariavelmente o caos se instala na nossa existência.

O termo ‘crise Existencial’ amplamente explorado hoje, surge na virada do existencialismo, movimento filosófico, ressurgido entre os anos de 1940 e 1950. Toda evolução pessoal passa por pequenas e grandes crises. A crise existencial acontece no nível individual, em decorrência do próprio crescimento pessoal. A sensação de que algo não vai bem, de que deveríamos fazer uma reavaliação dos parâmetros, questionamentos e indagações acerca do sentido da vida, devem conduzir os indivíduos para possíveis mudanças. Diante desse quadro de crise, aparecem dúvidas do que estamos fazendo com nossas vidas, em que temos investido nossos melhores recursos sejam pessoais ou financeiros.

A crise existencial vem acompanhada por rupturas de projeto de vida ligados geralmente à lutos, perdas, separações ou acontecimentos desorganizadores do cotidiano. Nesse sentido a crise existencial está sempre ligada à quebra de um processo de ilusão, que se relacionam às questões da finitude de vida ao se deparar com situações limítrofes que nos dão um senso de realidade e finitude. Ao contrário do senso de realidade, constrói-se inconscientemente a ilusão de que somos infinitos, onipotentes e eternos, como toda boa na ilusão, muitas vezes é aquele pé capenga da mesa que está “bamba”, que ainda segura a mesa. Os processos de ilusão quando se rompem podem acionar um gatilho para a crise existencial. A ilusória certeza de uma perda de situação passada ou da expectativa futura vivida como permanência ou posse se torna a grande lição desse processo, a vida vai nos ensinar em meio à crise de que não possuímos nada.

Quando a crise existencial se instala, alguma exigências se faz no percurso, isto envolverá sempre necessidade de mudança, viver sem mudar se torna inviável. As mudanças envolvem um despedir-se de um determinado modo de ser, renúncias de si ou de outros, que acaba sendo de novo uma ruptura. Toda crise existencial envolve também uma cura existencial. A crise pode ser conduzida como propiciadora de expansão da consciência, de uma análise clara dos aspectos paralisantes e também dos possíveis ajustamentos advindos dessa crise, tais aspectos poderá trazer cura para a alma.

Estamos destinados à Ser Pessoa, e como tal, nos tornamos Pessoa ao nos apropriarmos das crises, fazendo-as pontes para o processo de cura.

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