Você prefere um 2016 Vintage ou Retro?

*Por Priscilla Andrade Camilo

Todo ano a ladainha mercadológica é a mesma, de uma hora para outra as gôndolas do supermercado ficam repletas de chocotones para o Natal, do lado oposto, muita malhação  pois a mulherada corre para a academia para o projeto verão 2016, já que fracassaram no projeto verão 2015, afinal nem deu tempo em 2015 de dar as caras na academia. No cartório ao assinar algum documento e ter que se lembrar do dia e ano, ou ter que preencher um cheque, o comentário é o mesmo: “Nossa já estamos perto do Natal de novo? Passou rápido demais não é mesmo?”

Se para o brasileiro comum foi difícil  viver os 365 dias do ano de 2015 em meio à tantas denúncias de corrupção, economia instável e dólar nas alturas , imagine a desgraça se 2015 fosse ano bissexto, um dia a mais?? Nem morta!

Não farei aqui a retrospectiva de 2015, isso deixo para os programas RETRÓgrados de sempre. Quero propor algo diferente de tudo que envolva o prefixo RETRO, prefixo este de origem latina, traz a ideia de movimento para trás, basta olhar os exemplos de palavras tais como retrocesso, retroagir, retrógrado e retrospectiva.

Nada contra a quem tem a mania ou melancolia em olhar para trás, deixo bem claro que costumo visitar museus, assistir filmes antigos, ler clássicos da literatura, adoro fotografias preto e branco de papel amassadas com cheiro do tempo. Mas em 2016 eu já decidi, quero ser Vintage!

Pois bem, Vintage e Retrô parecem ser palavras sinônimas, mas são diferentes por algumas particularidades. A palavra Retro é de origem francesa, imita um estilo passado ou anterior, uma releitura do passado, uma retrospectiva daquilo que já foi visto. A palavra Vintage de origem inglesa, apesar de ser muito usada no mundo da moda, nada tem a ver com moda. Vintage é relativo às boas colheitas de vinho, a origem vem de VINT, relativo à safra de uvas e AGE à idade da uva, ou seja quanto mais velho melhor. Vintage refere-se na enologia ao ano de boa colheita vinícola, ou seja um vinho produzido em um ano de reconhecida qualidade, com características excepcionais. Quando Vintage se refere à objetos, como mobiliário ou sapatos, remetem à produtos antigos de excelente qualidade.

Vintage é usado, retrô é novo e imita o Vintage.

A ideia de um 2016 Vintage me faz deparar com algo original, que não imita nada, mesmo sendo usado. A enologia que é a ciência que estuda tudo que se relaciona a produção e conservação do vinho, destaca o Vintage, como uma safra boa, que produza  um vinho com características excepcionais, relativo à um ano de colheitas que se destaca dentre outras colheitas. É isso que eu desejo para mim, para o meu país, amigos, familiares e pacientes, um ano 2016 Vintage, que se traduz como um ano de boas colheitas, que se destaque por características reconhecidamente boas, ainda que 2016 sejam um ano com 12 meses como qualquer outro, mesmo usado,  quanto mais velho melhor. Não quero nada RETRO que me faça olhar para trás, pois ainda que o RETRO se reinvente, ele quer ser Vintage, por isso imita-o. Que venha o novo, o bom e com qualidades excepcionais. Um brinde ao 2016 Vintage.

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