Comportamento, Espiritualidade, Relacionamento

Dia do Perdão

Comemorou-se recentemente na comunidade judaica o Yom Kipur, conhecido como o Dia do Perdão. Eu não sou judia, porém, simpatizo muito com a ideia de ter um Dia do Perdão. Nesse Dia do Perdão, penso em todas as pessoas que eu gostaria de dizer: Você me perdoa?

Você pode estar se perguntando: um único Dia do Perdão não é muito pouco? Já que pisamos tanto na bola uns com os outros e consigo também? Sinceramente, não tenho elementos para dizer quantos dias seriam necessários para refletir sobre o perdão, no entanto, sei que necessário é perdoar e pedir perdão, para além do fato religioso aqui ilustrado, essa é uma questão de alma, faxina nas emoções e transcendência, que não necessariamente está presa ao fato religioso.

No meu Dia do Perdão começaria com aqueles que tem convivido comigo diariamente. Ao meu marido. Por não conseguir corresponder algumas expectativas suas, pelos desentendimentos sem razão, pelas exigências em demasia, por simplesmente ter uma tendência mais crítica, ou de não ter sido carinhosa e gentil em algum momento que você esperava. Amor, você me perdoa?

Aos meus filhos. Por não conseguir ser tão complacente com os erros de vocês, quando mesmo sabendo que vocês estão errados, vocês esperavam apenas que eu os alertasse para o caminho certo, sem falar aquelas ladainhas de mãe. Por nem sempre estar presente o quanto vocês precisam. Por não conseguir estar sempre presente nas horas que vocês só gostariam de um colo de mãe ou de bolo de chocolate com muito glúten, lactose e açúcar, feito por mim. Me perdoem por ser uma mãe muito light, que pensa que filho adora tapioca sem doce, brigadeiro sem leite condensado. Vocês me perdoam?

Aos meus pais. Por não conseguir estar presente com vocês o quanto eu deveria. Por deixarem vocês sentirem saudades da menininha que um dia eu fui e que agora cresceu. Por não ser tão atenciosa o quanto eu deveria ser às necessidades de vocês, por nem sempre ter escolhido o que vocês esperavam que eu escolhesse. Pai e Mãe, vocês me perdoam?

Aos meus irmãos. Por não conseguir sempre ser a “mana” que vocês gostariam de ter, aquela que saiu de casa muito cedo, casou-se com um cara muito legal, mas que lhes causou muito ciúmes. Por não conseguir ter convivido mais com vocês. Por não conseguir sair com o irmão só para bater papo. Por não conseguir ser a irmã que se torna “irmãe” que você pode contar coisas que você jamais contaria para a mãe. Manos, vocês me perdoam?

Às minhas amigas, por ser tão ausente quando vocês gostariam de só tomar um café para um bate papo. Por eu ser tão compromissada, saltitante, que não paro por um minuto, ou por gostar de ficar simplesmente em casa fazendo as coisas que preciso fazer, egoísta e ausente. Amigas por favor, me perdoam?

Aos meus familiares. Por ser também ausente em momento que vocês gostariam que eu estivesse. Por eu ser uma sobrinha, prima tia, neta e cunhada cheia de compromissos, que frustei as expectativas de vocês, que fui egoísta ou que você não puderam contar comigo para algo que vocês precisavam. Familiares por favor, vocês me perdoam?

Depois dessa enorme lista, lembrei dessa menininha que eu fui, que meus pais carregaram no colo, percebi que faltou eu pedir perdão a mim mesma. Por ser teimosa, exigente, impulsiva, insatisfeita, distraída, estabanada, por adorar coisas boas, por não gostar de ir ao dentista, por não ter seguido alguns padrões sociais, por não sossegar ainda que o meu marido peça para eu sossegar, por ter medo, culpa, por ter inveja de coisas e pessoas que não deveria ter… Priscilla, por favor, você se perdoa?

 

 

Perdão, perdão, Dia do Perdão.

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