Mulher, Psicologia, Sociedade

Afinal, o que querem as mulheres?

*Por Priscilla Andrade Camilo

Durante essa semana muito se tem dito sobre violência contra a mulher, assédio sexual e denúncias. O ENEM trouxe, como tema da redação, esse aspecto tão importante que é o aumento ainda considerável da violência contra a mulher. Tema amplo, que envolve aspectos como falta de políticas públicas e jurídicas no Brasil, a construção patriarcal da nossa sociedade e o que se fazer para acabar de vez com esse capítulo da história, de mulheres sofrem esse mal.

Não falarei aqui sobre o tema da violência contra a mulher em si, os  jornais, revistas e as redes sociais estão repletas de considerações sobre o tema, desenvolverei aqui, sem nenhuma pretensão de esgotar a discussão, já que o tema é amplo, o que observo como  aspectos e hipóteses sobre “quais são os possíveis desejos das mulheres, afinal o que querem as mulheres?

A pergunta é tão complexa que nem Freud em sua vasta obra deu conta de responder.

Nos meios acadêmicos existe uma ampla discussão sobre o que é ser mulher, um lado defende uma visão biologizante da mulher que desenvolve todos os seus argumento baseado nas diferenças dos cromossomos XX  das mulheres e as diferenças dos cromossomos XY nos homens. Por outro lado temos uma visão sócio-histórica em que o “ser mulher” é socialmente construído, e que não há diferença biológica nenhuma entre homens e mulheres, como defende Simone de Beauvoir em seu livro “O segundo sexo”.

O fato é que resolver o consenso sobre o que é “ser mulher” na visão da biologia ou do lado sócio histórico não vai resolver a questão sobre o desejo das mulheres, elas continuam desejando, seja por aspectos biológicos ou por construções sociais, continuam mulheres desejantes, objetos do desejo, possuem interesses diferentes e aspectos idiossincráticos que os faz “ser mulher”.

Não existem padrões de  mulheres burguesas como as que Freud cuidou, nem de mulheres devassas como as de Nelson Rodrigues tão bem retratou em sua obra, nem existem só as Madames Bovarys de Flaubert. Estas são e sempre serão possibilidades de existir na existência do ser mulher. Todas essas facetas do ser mulher se desvelaram na história, mulheres religiosas, mulheres devassas, mulheres recatadas, submissas, revolucionárias, maternas, adúlteras, líderes comunitárias, presidentes, porque me incomoda dizer presidenta!

No decorrer da história o “ser mulher” foi se transformando também por um processo histórico cultural, os diversos acontecimentos que marcaram as revoluções do feminino, como o direito ao voto na Inglaterra, a revolução industrial e antes também, possibilitou maior participação da mulher no mercado de trabalho tal como vemos hoje, todos esses embates de lutas e conquistas das mulheres trouxeram consigo um certo empoderamento para esse “ser mulher, no entanto, alguns sintomas advindos desse processo de empoderamento, tem feito muitas mulheres sofrerem em sua psique e em seu corpo.

Algumas mulheres estão apresentando sintomas como fadiga, depressão, tristeza, desânimo, repressão que os faz ficarem sem criatividade e às vezes apresentam comportamentos violentos no trânsito, em casa com filhos e a família, por terem  rompidos com essa natureza da psique da mulher, que aqui vou dizer tal como Clarissa Pinkola diz em seu livro “Mulheres que com os lobos”, que é uma natureza mais instintual. Resgatar esse encontro com aquilo que nos faz mais mulher, é resgatar a consciência da personalidade da mulher que é intuitiva, criativa, gregária, dinâmica e conectada com aquilo que a transcende. As mulheres que estão fugindo desses aspectos que lhes são somente seus, sentir-se-ão desvitalizadas, isoladas e fragilizadas. Acredito que as mulheres precisam se reconectar à sua alma feminina, mulher gera e não só filhos,  e por gerar possui uma capacidade criativa dada pelo Criador,  que contém todos os instintos e conhecimentos necessário para a vida.

Daí a necessidade dessa mulher se conectar com o que ficou pelo meio do caminho em sua história, revisitando e ressignificando esses acontecimentos, de forma que os conduza para o encontro consigo pelo autoconhecimento.

O que querem as mulheres eu arrisco dizer por ser uma mulher, é ser capaz de regular a sua própria marcha, fixar limites para que seu corpo não padeça para que também seja respeitado. As mulheres desejam se envolver no que lhe dá prazer, isso das formas mais diferentes, umas são mais intelectuais, outras mais artistas, outras gostam da vida doméstica, no entanto, torna-se necessário que essa mulher se desgarre de conceitos anteriores  à ela, sem precisar que a cultura, dinheiro, cargos, homens ou outras mulheres digam o que é melhor para elas. Cada uma deve ser capaz de olhar para o seu próprio desejo. Para aquelas que possuem uma maior conexão com o Criador ele é indispensável para nos ajudar nesse processo, muitas vezes esse processo envolve buscar ajuda, apropriar-se da real necessidade desse processo e buscar as evidências dessa mulher mais intuitiva, criativa, visceral, animada e cheia de vida que gera mais vida por onde passa.

Portanto, cabe a cada uma a busca dessa viagem para dentro de si, desvinculando de tudo que lhe for pesado e que impeça de escutar o seu desejo, pois se não escutá-lo, ele dará conta de aparecer seja de forma saudável ou doente.

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