Comportamento, Homem & Mulher, Sociedade, Vida

O que sua juventude pode dizer sobre sua velhice?

Há algum tempo lançaram um aplicativo chamado AgingBooth, nele é possível ter uma ideia de como seu rosto ficará quando envelhecer. Não precisa nem dizer o sucesso que foi a criação deste aplicativo, basta somente colocar uma foto sua atual que, transformada pelo aplicativo, lhe dará uma ideia de como você ficará no futuro e, de quebra, ainda dá para prevenir algumas rugas nos locais mais problemáticos.

Vivemos a sociedade que exalta a jovialidade, o frescor da pele da juventude o corpo malhado… pensar na velhice não é uma coisa que passa pela cabeça de muitos, com um discurso bem imediatista, o que importa é o hoje. Mas não é tão simples assim.

Na minha cabeça confesso que já penso sobre a idosa que quero ser, sem neuras e obsessões venho, ao longo de mais de uma década, construindo práticas e hábitos que eu cultivo como na alimentação, no modo de encarar a vida e, também, na disciplina para me exercitar diariamente. De certa forma, as práticas de hoje permitem predizer, se tudo ocorrer tranquilamente e sem intercorrências pelo caminho, a idosa que eu serei. Isso sem deixar de lado as orações, para que tudo conspire que eu chegue pelo menos aos 85 anos, ou quem sabe até os 90, com saúde.

Eu sempre falei para minha filha, que fará 20 anos em setembro, que, depois dos 20 anos, dá impressão que vida passa mais depressa. No entanto, pensar no idoso que gostaríamos de ser é um exercício de análise e deve-se incluir algumas perguntas hoje para saber o que lhe aguarda no amanhã.

As respostas às perguntas de hoje podem dar uma direção do seu futuro. Quais os tipos de alimentos que você ingere? Quantas horas você se dedica para atividades físicas? Com qual frequência você realiza check-up? Quantas horas de sono você tem? Como é sua vida social? O que você tem lido ultimamente? Como é sua vida afetiva hoje? Você desenvolve sua espiritualidade?

Inúmeras perguntas poderiam ser feitas, afim de dar um possível prognóstico da sua vida na velhice, no entanto, penso que a vida não é tão redondinha assim, meio toma lá da cá, não temos todas as garantias de que, se fazendo as coisas certas, tudo vai dar certo. Mesmo porque não temos o controle da maioria das coisas. Contudo, penso sempre que o corpo é um grande presente que nos foi dado, que devemos cuidar e preservá-lo, afinal, é nele que vamos habitar até nosso último suspiro. Quando digo que devemos cuidar do nosso corpo, eu digo isso da forma mais holística, integral e completa possível, pois não somos um espírito que habita um corpo somente, temos corpo, alma e mente integradas.

Em minha função, como Psicóloga, trabalho muitos aspectos da mente que esbarram nas questões da alma. Quando recebo pacientes que expressam cuidados com seu corpo com alguma atividade física, o trabalho se torna mais equilibrado e completo. Alguns posts atrás eu escrevi sobre Autocompaixão, isso envolve esse cuidado consigo de forma integral corpo, alma e mente.

Uma forma interessante de construir práticas hoje que nos beneficiem no futuro seria pensar que temos um grande “banco da vida”, nesse banco fazemos muitos saques ao longo da vida e deixando de fazer depósitos ou aplicações que nos garantam um futuro mais tranquilo. Os saques aparecem sempre que trabalhamos mais do que deveríamos, também, todas as vezes que fazemos mais escolhas que impliquem em desgastes mentais ou emocionais e quando se constroem laços afetivos que não contribuem para nada. Difícil é passar pela vida sem fazer escolhas erradas, que incluam menor desgaste e mais construções, mas nem tudo está perdido! Se você é jovem, dá para aprender com os erros dos outros e pelos belos exemplos que se encontram na vida de pessoas que tem o saldo positivo, de escolhas de estilo de vida.

É importante perceber que, na sociedade do capital, existe uma moratória, a mesma indústria que diz que o executivo tem que ter qualidade de vida é a mesma indústria que pede que ele leia os e-mails quando chega em casa, depois de mais de 8 horas de trabalho.

Dilemas são colocados sempre à nossa frente, a escolha é de cada um. Nesse aspecto uma escolha sempre deve ter em vista não só solucionar o problema do hoje, mas o de amanhã também.

Em um país de terceiro mundo como o Brasil, em que a matemática previdenciária está sendo revisada sem julgar se, de forma justa ou injusta, o que de antemão já sabemos, é que todos nós que estamos em idade produtiva, deveremos trabalhar mais para alcançar a tal aposentadoria. Nesse sentido, fica a reflexão de que a forma para aumentar as possibilidades de uma boa velhice seria mudar práticas e hábitos da vida hoje pois, pelo andar da carruagem, os brasileiros terão que ter muita saúde na terceira idade para tentar, ao máximo, não depender das instâncias tão problemáticas de nosso país, como a saúde e a previdência.

Qual prática que você construiu hoje de qualidade de vida que permite predizer o(a) velhinho(a) que vai ser? Corra, ande, se alimente bem e cuide de si porque amanhã, se você hoje já não é um(a) idoso(a), pode ser muito tarde.

Por Priscilla Andrade

You Might Also Like