Casamento, Homem & Mulher, Relacionamento, Sociedade

Até tu Gisele?

Todo casamento passa pelo rito das promessas que, geralmente, ocorrem na celebração do ato, seja civil, conduzido pelo juiz, ou na igreja, pelo sacerdote. São promessas de parceria, de cumplicidade e fidelidade até a morte que faz do casamento uma das instituições mais antigas. O ato do casamento envolve deveres, promessas, partilha ou não dos bens, novos documentos, testemunhas e contratos. Tais promessas podem ser ditas como repetição de um ato solene ou, em alguns casos, palavras soltas ao vento. Certa vez o poeta Rubem Alves ouviu de um sacerdote a seguinte frase: “Não é o amor que faz um casamento, são as promessas”, depois Rubem Alves acrescentou: “promessas são as palavras que engaiolam o futuro”.

Os recentes burburinhos sobre traição no casamento ou um possível affaire entre Tom Brady, marido da Gisele, com a babá deu o que falar nas redes sociais, e mídias do mundo inteiro. Como todo brasileiro perde o amigo, mas não a piada, frases soltas e ironias tais como “Se ela, que é a Gisele Bündchen foi traída imagine nós, pobres mortais”.

O acontecimento reacendeu velhas discussões sobre a traição, tais como por quais motivos se trai, o que está escondido por trás da traição e de quem é a culpa.

As traições sempre existiram desde que o mundo é mundo, as traições não acontecem só entre casais, aconteceram entre reis e súditos, patrões e empregados, pais e filhos, entre países por aí afora… onde houver ser humano há inúmeras possibilidades, entre todas, a traição também é uma delas.

Muito se ouviu à respeito do fato envolvendo a modelo mais bem paga do mundo, como poderia acontecer isso logo com ela que é linda e rica, rainha das passarelas do mundo inteiro, dona de um corpo escultural e detentora de cifras de milhares de milhões de dólares? Seria uma tragédia se fosse com qualquer um, mas com ela, pessoa pública, conhecida no mundo inteiro, ícone de beleza e sucesso é como um tsunami e terremoto, misturados com chuva ácida… Afinal, ela é a Gisele!

O caso em si abre um leque para várias reflexões acerca da traição e amor verdadeiro, mas o interessante no caso é a ênfase que recai sobre os possíveis motivos que um homem trairia a Gisele Bündchen.

Em minha modesta opinião ela foi traída pelo mesmo motivo que a Maria, Joana, a Tereza, a Simone de Beauvoir e todas as mulheres do planeta poderiam ser traídas. A traição pode estar relacionada à fatores que não justificam mas que servem para explicar um possível gatilho para a traição, como a falta de algo, nem que, no caso, seja a falta de caráter do traidor (a), a frieza de ambos, o distanciamento, compromissos em demasia, trabalho demais, falta de comunicação ou sexo.

Os motivos, sempre tão bem conhecidos de todos, estão na ponta da língua. Mas encarar essa possibilidade como algo real e verdadeiro nem sempre é simples. A traição traz à tona a questão da culpa, como que se caso achassem o culpado poderiam prendê-lo, puni-lo, ameaçá-lo ou tortura-lo. É óbvio que aquele que traiu faltou com lealdade, dignidade e empatia para com o outro, pelo simples fato de existir um acordo entre ambos de reciprocidade e fidelidade, acordados de alguma forma, lá atrás, pelo ato de casar-se.

Para se viver uma relação verdadeira precisa sair do ideal do amor, que é o caso daquele que trai pois, na maioria das vezes, este está à busca um amor idealizado, logo, não verdadeiro.

Nesses casos a melhor forma de resolver a questão é encarar e aceitar as coisas como elas realmente são, fazer o melhor possível com o que se tem. A traição pode ser até uma atitude infantil,  por conta do sofrimento que as coisas não são como se quer, comparada a criança que despreza o brinquedo antigo porque ele não faz mais o barulho que antes fazia. Ao invés de buscar os culpados, os casais, nesse caso,  devem aproveitar o momento para uma profunda análise pessoal, afim de saber de que forma ambos contribuíram para que o relacionamento dar errado.

Não existe crença mais danosa repetida por gerações que, no amor, deve-se buscar a outra metade. Por que não encontrar algo inteiro, e se contentar só com a metade?

O amor deve ser algo que integra, que se constrói entre seres inteiros, que não cause dependência e necessidade do outro para sobreviver pois, se estamos buscando a metade no outro, nos tornamos dependentes. Se algo também nos falta como seremos completos? Quando um não vive sem o outro isso é dependência e, quando se depende, não se tem escolhas. Se não há escolhas não há liberdade, o amor verdadeiro precisa da liberdade para sobreviver.

No caso da traição, a melhor expressão da liberdade é encarar a verdade, nesse caso, envolve aproveitar os conflitos para o crescimento pessoal. Ao invés de usar toda energia para mudar o outro, use-a para observar o que incomoda em mim mesmo.

O caso demonstrou que não existe mulher linda que consiga garantir fidelidade alheia. O exemplo pode servir para suavizar o peso das mulheres traídas que sentem-se inferiorizadas por critérios estéticos, que não correspondem garantia de não traição. No amor não há garantias, apenas promessas que podem ser engaioladas no futuro e, para que a relação permaneça, deve-se repetir essas promessas, afim de endossá-las na cumplicidade que um dia os fizeram prometer.

Por Priscilla Andrade

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