A arte do encontro

A primeira vez que eu ouvi a frase “o que você procura também está lhe procurando” foi recente, estava em um curso com várias mulheres, em outro estado. Por um instante pensei o quanto isso realmente faz sentido. Uma imagem que retrata a frase é a imagem dos minutos que antecedem a largada dos atletas de corrida nas olimpíadas, observe a postura que escolhem na largada, geralmente agacham-se em posição de ataque de lobo, quando ficam em pé a cabeça fica ereta,  o peito fica um pouco para frente e as pernas tentam alcançar passos longos, fica clara pela sua postura a intenção de melhorar a performance e cruzar a linha de chegada.

A maneira como se prepara para a vida, o modo como se posiciona perante os desafios, a estratégia que se utiliza para alcançar o que se deseja, será determinante para que se encontre o que procura. Nesse sentido um pouco de Sherlock Holmes na vida de alguém nunca é demais. Analisar o trabalho de um detetive, que essencialmente é procurar algo, investigar fatos e imagens, traz uma noção de que todos, de certo modo, terá algumas pistas para farejar nessa estrada da vida. O detetive sabe o que procura, como procura e o que ele espera encontrar após sua procura. Penso que na vida, seja nas relações de trabalho, no amor e nos relacionamentos, comportamo-nos tais como detetives, no entanto diferentemente dos detetives procuramos muito, investigamos às vezes e na maioria das vezes não encontramos o que procuramos. Então o que acontece quando se procura algo e não encontra? Frustração, derrota e fracasso são alguns resultados possíveis dentro desse contexto.

Em algumas conversas de botequim, reuniões de negócios ou uma simples reunião familiar, vez ou outra, ouve-se alguém dizer que desistiu de algo que procurava, ou o que encontrou não era exatamente o que estava procurando. Chega-se a pensar que a vida está mais propensa aos desencontros do que aos encontros. É interessante observar que tanto no atleta de corrida quanto no detetive, em ambos, existe um preparo, exige-se um levantamento de informações, há também uma postura correta e observação das estratégias que fizeram com que outros chegassem no que estavam procurando.

Nos relacionamentos amorosos parece que a coisa se complica ainda mais. O que se acha nem sempre é o que se procura, os desencontros são tantos que não há Tinder, aquele aplicativo de encontros que resolva. Aqui nesse caso, acho que a máxima do detetive que sabe o que procura, como procura e o que ele espera encontrar serve para as relações amorosas também, a questão é que há variedade de produtos demais e confunde até o que se propôs inicialmente procurar.

O que está posto na arte do encontro é simples, porém complexo, encontrar o que se procura pode ser transformador, no sentido que aquele que encontra algo influencia e é influenciado pelo que encontrou, ainda mais quando se têm a nítida percepção de que se achou o que tanto procurava.

O atleta ao encontrar a linha de chegada não será o mesmo corredor que antecedeu a linha de chegada, poderá falar de sua experiência, contabilizar seu melhor tempo e melhorar ainda mais. Penso que o encontro é arte mesmo, precisa de liberdade, olhar aguçado, coração sensível e expectativas recuadas para que o encontro seja surpreendente. Se não for assim, não há encontro somente procuras.

Por Priscilla Andrade

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