Comportamento, Psicologia, Vida

Autocompaixão, você desenvolve?

Se você não conhece o termo “autocompaixão” pela definição, talvez pela justaposição das palavras o termo se explique: “compaixão por si mesmo”. De forma simplificada significa tratar-se a si mesmo de forma gentil e compreensiva. É interessante pensar que desenvolver autocompaixão pode soar estranho, em uma sociedade que enaltece o narcisismo e altas performances em todas áreas da vida. Mas acredite, já existem pesquisas sendo feitas, livros publicados e técnicas perceptivas que estão sendo desenvolvidas através de questionários.

Não se trata de um ritual de egoísmo ou culto à autocomiseração, a autocompaixão pode ser expressa por um cuidado de si, uma certa generosidade para consigo, deixando de lado as autocríticas demasiadas e as culpas.

Tem-se observado uma certa intolerância não só em relação às grandes questões sociais, essa intolerância se apresenta no nível individual também, tais como em situações onde os indivíduos em situações de fracassos e perdas, se tornam implacáveis e intolerantes para consigo mesmo.

A autocompaixão se aplica em nível horizontal, ou seja, o indivíduo com ele mesmo. Já em relação à autoestima, esta se difere da autocompaixão, pois a referência aqui é o outro, ou seja, no nível vertical, o alvo é superar o outro. Um exemplo comum seria a prática do bullying, utilizando-se de pessoas que se sentem mais fracas para se sentir mais forte e assim garantir a autoestima elevada.

Por outro lado, a autocompaixão diz mais sobre o indivíduo com ele mesmo, a autoestima diz mais sobre indivíduo em relação aos outros.

Diante disso a autocompaixão pensada sob o aspecto do desenvolvimento humano, se relaciona com um processo de amadurecimento do indivíduo, que aprendeu olhar para si, com mais aceitação e menos críticas, tornando-se mais leve consigo e por consequência se torna leve para com os outros.

A máxima que todos já ouviram “faça para os outros o que você gostaria que fizessem para você” levando para a autocompaixão ficaria ” faça por você mesmo o que você faria pelo outro”.

Vivemos um tempo em que as cobranças por melhores performance no trabalho, na vida e até em relação ao físico e ao corpo, acaba por tornar-se uma queixa frequente de pacientes nos consultórios das áreas de saúde, cobranças excessivas chegam a prejudicar a qualidade de vida. Esses fatores geram mais stress, ansiedade e podem ser até ser gatilhos de de quadros depressivos, comportamentos autodestrutivos que não tem a ver necessariamente com uma realidade, mas sim relacionada à uma percepção de desvalorização e fracasso do tipo: ” tudo o que eu faço nada dá certo”, afirmações como essa, podem sim envolver questões comportamentais ou até uma falha em perceber que os problemas são parte da condição humana.

A frase clássica “faça para os outros o que você gostaria que fizessem para você”, ao ser adaptada para autocompaixão seria “faça por você mesmo o que você faria pelo outro”. A questão da troca aqui é simplesmente uma troca perceptiva de estar no mundo, não é que o indivíduo tem que se tornar um egoísta e insensível, mas um olhar mais atento e sensível às suas necessidades individuais, respeitando se a si mesmo em seus limites, sem estar influenciado pelo que os outros julgam o que é melhor para você.

É importante deixar claro que autocompaixão não é auto piedade, que é a pena de si, ou aquele que se percebe como sempre “vítima ou coitadinho” das situações. A autocompaixão ao contrário trabalha o empoderamento do indivíduo ao melhorar sua percepção de si, poderá melhorar sua percepção de mundo, para isso muitas vezes trabalhar o processo inverso é um caminho.

O processo inverso funciona quando o indivíduo é exposto à situações que lhe ajude à se conectar com os problemas dos outros, fazendo-os enxergar que eles não são os únicos que passam por situações difíceis, tal trabalho pode ser mediado por psicólogos que pode trabalhar atividades grupais ou aplicação de questionários para uma percepção mais ampliada. Ao desenvolver uma melhor percepção de si, a autocompaixão pode contribuir para que o indivíduo crie seus próprios referenciais de sucesso, respeitando seus limites e falhas, e fazendo-os encarar as situações como possibilidade de desenvolvimento.

 

por Priscilla Andrade

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