Comportamento, Sociedade, Vida

Resiliência: como trabalhar a arte de superar e resistir

*Por Priscilla Andrade Camilo

 

A imagem de uma bucha de lavar louça sendo esticada ao máximo e a sua capacidade de voltar à mesma forma inicial seria um exemplo metafórico do conceito de resiliência . Todos em algum momento de nossas vidas passaremos invariavelmente pela angústia e a dúvida, essa esticada da bucha que nos coloca em dúvida se conseguiremos voltar ao que éramos antes.

Esta semana estou terminando de assistir a segunda temporada de Outlander, uma série do Netflix, baseada em um livro que mostra exatamente o personagem (Jamie) que vive no século XVIII toda forma de bárbarie, tortura e perseguição de seu inimigo o capitão inglês Jack Black Randal que não lhe dá trégua, demonstrando a força de seu personagem ao passar pelas várias adversidades sem deixar de lutar por aquilo que acredita.

O personagem dessa história conseguiu me intrigar com a sua capacidade de passar por adversidades duras e cruéis, sendo afetado por elas profundamente em seu físico e emocional, porém sem deixar sua capacidade de se recuperar de cada uma delas.

Pode ser desenvolvida?

A capacidade de ser atravessado por momentos difíceis, situações imprevisíveis que nos faz perder controle testará o quanto de resiliência se têm ao enfrentar tais situações.

A resiliência é uma habilidade que pode ser desenvolvida, embora, alguns já a tenha sem nunca ter entrado em contato com uma situação extrema, a resiliência é determinante no sucesso ou fracasso que cada um se propõe na busca de seus objetivos.

A consciência de que não seremos engolidos por uma situação adversa, a observação evidente que não temos total controle de nossas vidas ajudará identificar quais emoções negativas estão envolvidas e que podem atrapalhar a habilidade de ter resiliência.

Como desenvolver resiliência?

Durante o trabalho de psicoterapia eu trabalho as ideias sobre resiliência com o meu cliente, exploro formas de mudar atitudes em relação aos erros, possibilitando que o próprio cliente encontre suas funções de suporte tornando-o mais bem equipado para construir sua própria história de resiliência em cada situação enfrentada.

Em alguns momentos seremos medidos não pela quantidade de informações que acumulamos, nem pela experiência que desenvolvemos em determinada àrea, mas poderemos ser analisados por nossa resiliência.

A boa notícia é que resiliência pode ser desenvolvida, treinada e experienciada, encontrando formas de seguir em frente, olhando o presente com vista para o futuro e identificando principalmente as emoções negativas que interrompem os indivíduos em seguir em frente.

Uma vez tendo a consciência da importância desse aspecto em nossas vidas, desenvolvê-la é imperativo à todos que desejam o sucesso.

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Amor, Comportamento, Relacionamento

Namorar sem ar

*Por Priscilla Andrade Camilo

 

A estória é a seguinte. Imagine a cena de uma pessoa em uma piscina mergulhada fazendo apinéia, ou seja testando sua capacidade de ficar abaixo da àgua com menos oxigênio, essa mesma pessoa hipoteticamente, se encontra também apaixonada. A probabilidade dessa pessoa conseguir ficar menos tempo embaixo da àgua sem respirar será menor se ela estiver apaixonada, estando apaixonada, o seu nível de concentração vai para o buraco e literalmente ficará sem ar mais rapidamente.  A paixão tira nosso ar!

A palavra “namorar” sem o “ar” fica “namor” (en+amor), ou seja, o casal fica “em amor” ou enamorado.

A questão é justamente que a maioria quer ficar “em amor”, porém a paixão por vezes nos tira o ar. Deixe-me explicar melhor.

Um estudo publicado pela revista Motivation and Emotion1 da Universidade de Leiden, na Holanda observou que a intensidade da paixão pode estar relacionada ao nível de concentração de uma pessoa, ou seja, quanto mais apaixonada uma pessoa, menor o nível de concentração e maior dificuldade para executar tarefas que requerem mais atenção. A partir desses dados, se uma pessoa estiver mais distraída, desatenta e com baixa capacidade de concentração ela pode estar apaixonada.

Namorar sem “ar” metaforicamente  se relaciona ao estado em que os casais muitas vezes têm receio de namorar, pois temem ficar, tal como num estado fóbico” sem ar dentro de uma piscina funda. Quanto tempo dá para ficar sem respirar?

Uma coisa é ficar sem ar porque se está apaixonada, aquele frio deliciosamente sentido na barriga, como um sinal da paixão que nos traz uma sensação de ficar até sem ar. Agora, outra coisa é o estado fóbico em que alguns relacionamentos são construídos de forma doentia que se baseia na posse, violência, ciúmes e desrespeito. Não existe relação se ambos envolvidos não conseguem respirar. Namorar e amar precisam de ar, literalmente.

Diante desse fato, a construção de um namoro saudável envolve desprendimento, acolhimento, parceria e muito respeito. Gosto particularmente da ideia de que se você quer muito alguém do seu lado, dê asas à ela, pois ela pode até voar, porém, se este for realmente um ninho de amor, tal como um pássaro voará e voltará para o ninho.

 

1- Pinto, Fernando Gomes. Neurociência do amor, Academia, São Paulo, 2017.

Comportamento, Mulher, Psicologia, Sobre Gente

Síndrome da Mulher Perfeita

*Por Priscilla Andrade Camilo

 

Todas nós mulheres sofremos em maior ou menor grau disso que eu nomeio “síndrome”, deixe me explicar, Síndrome da Mulher Perfeita, nada mais é do que um conjunto de sinais e sintomas típicos da pós modernidade que caracterizam esta determinada condição.

Os sinais dessas Mulheres Perfeitas estão em todos os lugares, tais como, Organizações, Escolas, Universidades, Academias, reuniões de pais e mães, revistas femininas e  instituições religiosas.

Os sintomas vão desde à baixa intolerância à criticas, passa às vezes por disformia corporal e pode chegar à planos e metas inatingíveis.

Inconsciente Coletivo

As mensagens culturais que formam o inconsciente coletivo se dá de forma sutil e penetrante. Um exemplo claro de como tudo isso se desenvolve aparece no livro “Faça acontecer” de Sheril Sandberg, chefe de operações do Facebook, lá ela traz que um case de uma  rede de lojas de roupas infantis americana, pôs a venda macacãozinhos que traziam a mensagem para os meninos: “Inteligente como o papai” e para as meninas “ Bonita como a mamãe”.

A formação da subjetividade da mulher atual passa por grandes transformações, as meninas de hoje são criadas por mães filhas da revolução do mercado de trabalho, os modelos de valor, beleza e felicidade são introjetados desde à mais tenra infância e passam à ser modelo aspiracionais.

Seja perfeita é um imperativo categórico, sustentada pelo desejo de ser reconhecida, valorizada e amada. As mulheres foram criadas para serem perfeitas e boazinhas, os homens para serem corajosos!

Uma das maiores forças da mulher está no re-conhecer (conhecer de novo) suas forças e suas fraquezas, o estudioso Donald Hampton da Inteligência Emocional traz que uma das 10 (dez) características de que você têm e desenvolve sua Inteligência Emocional, está em reconhecer suas polaridades (forças e fraquezas).

Como psicoterapeuta observo que as mulheres pouco questionam essas verdades sutis e penetrantes, antes atuam como verdades absolutas, o que pode trazer consequências como um grande senso de frustração consigo mesmas, auto exigência de performance no trabalho e um desrespeito aos seus próprios limites existenciais.

Re-conhecer

Conhecer nossas forças e nossas fraquezas requer um tempo e um espaço, mas com tantas demandas para sermos perfeitas, muitas vezes abrimos mão desse tempo e espaço tão útil para o nosso crescimento, achando que vamos conseguir sozinhas, afinal somos perfeitas!

Eu, particularmente, estou abrindo mão de muitas coisas, outras eu tenho conseguido, outras não, estou em construção, consciente de que perfeição não existe.

Psicologia, Saúde, Sobre Gente

Curando o trauma

*Por Priscilla Andrade Camilo

A palavra vem do grego traûma, traumatos, traumatismós, que significa “ferida”, “dano” ou “avaria”. A definição oficial que os psicólogos e psiquiatras usam para diagnosticar o trauma é que ele é causado por um acontecimento “estressante”que está fora da amplitude da experiência humana usual e que seria marcantemente perturbador para quase qualquer pessoa (p.34). Tal definição contempla ameaça grave à vida ou integridade física; ameaça grave ou dano aos filhos; ao cônjuge ou a outros parentes próximos ou amigos; destruição repentina da casa ou da comunidade; ver outra pessoa que está ou foi recentemente ferida gravemente ou morta como resultado de um acidente ou violência física.

Essa definição é útil, no entanto a percepção de algo traumatizante depende de muitas variáveis tais como acontecimentos que o corpo inconscientemente percebe como ameaçadoras tais como cirurgias, acidentes, quedas, estupros e tiroteios que também podem ser eventos traumáticos.

Sintomas

O trauma tem cura, porém depende do reconhecimento de seus sintomas. O tema presente em pessoas traumatizadas é que se tornam incapazes de superar a ansiedade de sua experiência.

Os sintomas traumáticos são fisiológicos e psicológicos, os registros traumáticos se traduzem em pensamentos repetitivos, sensações corporais e conteúdos ansiogênicos que se expressam em ambientes ou estímulos que evoquem o conteúdo traumático.

O trauma evoca sempre uma resposta biológica, um psicoterapeuta habilidoso estará atento às várias formas de expressões corporais, sensoriais e perceptuais que reatualizará o trauma. É sabido que é mais fácil prevenir o trauma do que curá-lo, no entanto, será a aceitação e não a negação do trauma que será o início para a cura do trauma.

“Quando se trata do trauma, o que não sabemos pode nos ferir. Não saber que somos traumatizados não evita que tenhamos os problemas causados pelo trauma”.

A realidade da pessoa traumatizada é que ao narrar um acontecimento traumático, as palavras nem sempre dão conta de transmitir o quanto é angustiante o que se sente, porém, a legitimação da dor existencial entre cliente e psicoterapeuta possibilitam um vínculo potencialmente curador.

 

Psicologia, Sociedade

Ansiedade o mal do século XXI

*Por Priscilla Andrade Camilo

A ansiedade e a depressão são um dos motivos de maior procura em consultórios de psicoterapia e psiquiatria. Sabendo desse fato, mas o que pode estar por detrás desse fenômeno, conhecido como o mal do século?

A sociedade produz os indivíduos que precisa.

O sistema social o qual estamos inseridos, que envolve o pensamento e a cultura engendrado nas esferas políticas, econômicas e culturais protagonizados pelas mídias sociais e as exigências do mercado de trabalho, requerem desse indivíduo pós moderno o conhecimento, crescimento e conexão para coparticipar desse cenário de incertezas nas mais diversas partes da nossa sociedade.

Mudança Social

Há um tempo atrás, talvez não mais que 50 anos atrás, o mundo era mais previsível, as relações eram estáveis e longevas, às instituições mudavam pouco, o mundo não era conectado, as mudanças eram mais lentas e passíveis de controle.

Dada a imprevisibilidade do mundo, das instituições, das relações entre os indivíduos, vivemos hoje a necessidade por controle, na ilusão que o controle pode trazer uma certa “previsibilidade” para o amanhã, porque viver o amanhã antes que ele chega significa estar em alerta e prontidão para qualquer eventualidade.

O constante estado de alerta no corpo e mente, a necessidade de controlar as variáveis da vida tais como saúde, finanças e relacionamentos trazem como consequência a falta de sentido em viver o aqui-e-agora. O controle rouba a possibilidade de viver o que se têm para ver hoje, aqui-agora. Quando viramos reféns do controle abrimos mãos de protagonizarmos a nossa existência.

A ansiedade se instala no corpo e na mente, produz sintomas diversos no corpo como sensação de aperto no peito, sudorese, formigamento, tontura, náuseas e etc. O quadro de ansiedade (Transtorno de Ansiedade) pode vir ou não acompanhado de um quadro depressivo. A boa notícia que ansiedade têm tratamento e pode sim chegar à remissão dos sintomas.

Tratamento

O tratamento psicológico envolve um trabalho de ajuda aos fatores que envolvem pensamento, sentimento, emoção e cognição. Quando há fatores neuroquímicos ou falta de algum hormônio que produza sensação de bem-estar, o médico psiquiatra avaliará e havendo necessidade irá prescrever ansiolíticos ou antidepressivos para um reequilíbrio neuroquímico.

A procura por ajuda especializada em casos que se apresenta estes sintomas, deve vir acompanhada de uma disposição para se enfrentar o problema, se engajando no tratamento e na busca de uma qualidade de vida melhor.

Mulher, Sociedade

O que cala uma mulher?

*Por Priscilla Andrade Camilo

A questão de dar voz ao feminino é coisa recente na história.

Fica mais fácil resgatar na memória a dominação sofrida pelas mulheres, a polarização que tenta fazer delas seres inferiores e privadas de sua subjetividade, do que imaginarmos uma repleta inversão cultural.

Reality Show

O episódio de um reality show essa semana trouxe uma mobilização do movimento feminista principalmente nas redes sociais, em que a emissora teve que expulsar o rapaz participante, para assim impedir que a violência psicológica por meio de gritos, ameaças e atitudes que caracterizam um relacionamento abusivo fosse impedido. A emissora sendo pressionada por movimentos feministas, e também como temas mais comentados no twitter #EuViviUmRelacionamentoAbusivo e a própria coluna #AgoraÉQueSãoElas mostraram a força dos movimentos de ocupação da mídia por mulheres.

Todos estes movimentos pressionaram a emissora que se viu obrigada à dar uma resposta, não só por questões mercadológicas, mas principalmente para atender os desejos de seu maior público que são as mulheres, mudando assim um padrão de silenciamento.

O que durante muito tempo fez com que as mulheres se calassem nos espaços público foi o fenômeno de que sua voz seria abafada no meio da multidão de vozes graves uníssonas masculinas. Por meio de muitas lutas e  embates desde o século XIX chegamos até aqui ocupando alguns espaços públicos, no entanto, estas mesmas vozes nem sempre são ouvidas.

Resposta Virtual

O espaço virtual que agora desponta com alguns lapsos de realidade abre espaço para as vozes femininas não se calarem, vozes indignadas que não querem lançar lentes de oposição homens/mulheres como uma criação masculina, ao contrário as mulheres querem criar a partir delas mesmas um espaço que pode ser vivido por todos, homens e mulheres eliminando oposições e hierarquias.

O que sempre calou as mulheres foi a falta de espaço e falta de escuta. Muitos séculos de silêncio parece agora falar mais alto.

Agora, o espaço existe e a força maior têm vindo do espaço virtual. A escuta, esta também já está pronta, pois o ato de escutar é dar voz ao outro. O que aconteceu nesse reality show, embora, tenha sido real, também foi uma grande metáfora do cotidiano de muitas mulheres que não se apropriaram do seu espaço e da escuta. O episódio ocorrido pode estar à serviço dessa necessidade das câmeras dar um foco maior às estatísticas de altos índices de violência contra a mulher, embora ainda se legitima as ações de agressores, dado que em posições estratégicas a maior ocupação ainda é masculina.

Enquanto as mulheres não ocuparem os espaço públicos, tais como instâncias estratégicas como elaboração de leis, posições de poder nas instituições públicas e privadas e engajamento público será mais difícil ampliar o que se alcançou até aqui, embora, há de se comemorar alguns significativos avanços de ocupação feminina.

 

Comportamento, Saúde, Sobre Gente, Sociedade, Vida

Feliz dia da saúde mental da mulher!

*Por Priscilla Andrade Camilo

Que a mulher tem uma fisiologia muito peculiar isso não há dúvidas, afinal é a mulher quem gera.
Mas como anda a saúde mental da mulher?

Quando me refiro saúde mental da mulher me refiro à qualidade de seus pensamentos, sentimentos, emoções e cognição. Sabemos que fatores sócio-culturais, econômicos, ambientais e fisiológicos irão impactar no bem estar da mulher.

Quando se pensa em políticas de prevenção à violência, prevenção ao câncer de mama, acesso à anticoncepcionais nos postos de saúde, vacinas contra o vírus HPV e melhora do acesso à antidepressivos e ansiolíticos estamos pensando na saúde mental da mulher.

Outro aspecto importante que se relaciona diretamente à saúde mental da mulher são as questões reprodutivas como contracepção, gravidez, parto, puerpério e menopausa.
Os dados acima nos permite dizer que a saúde mental da mulher é impactada pelas fases do desenvolvimento e também pela capacidade ou não reprodutiva da mulher.

Diante de tais fatos, uma preocupação mediante as questões de um mundo psíquico feminino faz-se necessário, isso sem adentrar pelas questões das demandas da atualidade na vida dessa mulher multi-tarefas.

O uso de antidepressivos dentro da população brasileira é maior entre as mulheres, claro que isso deve-se ao fato que as mulheres tendem à buscar mais os serviços de saúde e as políticas existentes, no entanto, esse índice também demonstra o quanto o estilo de vida da mulher moderna multi-tarefa é nociva, deletéria e prejudicial no longo prazo.

Precisamos urgente de um olhar mais apurado à saúde mental da mulher, tal olhar, não virá somente pela simples constatação de uma fisiologia reprodutiva peculiar ou possíveis alterações de hormônios, tudo isso é muito pouco se a saúde mental da mulher não começar por uma questão sociocultural, econômica e política que viabilize proteção, prevenção para a saúde mental da mulher.

Isso quer dizer que só podemos dizer que estamos cuidando da vida mental da mulher no Brasil se elas tiverem igualdade de direitos, acesso à empregos com salários equiparados aos dos homens, se a vida familiar e suas tarefas forem compartilhados por todos e se tivermos sobretudo mulheres que nos represente nas várias repartições da vida pública.

Comportamento, Sobre Gente, Sociedade

Menos “clicks” Mais “touch”

Por Priscilla Andrade Camilo

Já é possível através de um programa saber quantos clicks seu dedo distribui pela web. Eu presumo que alguns sujeitos que não saem de frente do computador, se soubessem quantos clicks distribuem por aí afora ficariam assustados.

Sabemos que a  métrica dos clicks serve para conhecer muito sobre o perfil do usuário, quais sites mais se acessam, o que ele compra, qual sua rede de relacionamentos e por aí vai, servindo-se destes dados, o mercado àvido por informações, se apropria disso oferecendo novos serviços a partir de um perfil de clicks.

Eu presumo que vivemos atualmente na sociedade mais clicks e menos touch.

Aqui a palavra “touch” foi apropriada do termo em Inglês que significa em Português “toque”, “contato”, “ligação”, “tato” e traduzindo em miúdos tocamos de menos e acessamos demais, ligamos de menos e clickamos demais, contatamos de menos e clickamos demais.

Não sou absolutamente contra às tecnologias, muito pelo contrário, no entanto, se torna intrigante quando vemos que a virtualidade tem tomado conta da realidade dos indivíduos. Eu observo pessoas que conversam mais, se relacionam mais e tem mais amigos na comunidade virtual do que na vida real.

Existe uma tendência que quanto mais se investe no tipo de relação virtual mais se desconecta do real, são verdadeiros “Avatares” (representação virtual) em que possui uma grande presença virtual e pouca real. Uma vez que isso acontece, estes Avatares” no mundo real   são indivíduos que quando estão juntos na realidade não sabem se comunicar, tendem à ser superficiais nas relações e seu repertório de assuntos e meios de acessar o outro são focados apenas no virtual. Essa falta de conexão com o mundo real se caracteriza pelo empobrecimento das emoções, superficialidade e falta do toque, do contato e da conexão com o outro que nós é vital.

Alguns estudos em Neurociências demonstram o que o toque físico é essencial para o pleno desenvolvimento cerebral, é sabido o quanto o nosso organismo necessita do toque do outro, que se dá pelo abraço, pelo aperto de mãos, pelo carinho no ombro e pelos olhos nos olhos. O toque físico atua em nossa fisiologia em causa própria, proporcionando uma melhora do sistema imunológico e o aumento da produção de hormônios que nos causam sensação de bem estar.

As pesquisas neste campo estão apenas começando, porém é notável o quanto esse fenômeno já é observável e seus resultados já podem ser constatados em nossos círculos de relacionamentos, agora imagine esse fenômeno ampliado?

Fica aqui o meu convite à reflexão de como temos vivido em nosso espaço virtual e real. Por uma sociedade com menos “clicks” e mais “touchs”por favor!

Comportamento, Sobre Gente, Vida

O velho que quer ser novo

* Por Priscilla Andrade Camilo

Hoje, dia 30 de Dez de 2016, escrevo o último post de 2016 baseando-me no que mais busquei neste ano: estar presente no aqui-e-agora. Deixe -me explicar.

Eu poderia ter escrito o post uma semana antes e só postar no dia 01/01, no entanto, eu perderia a essência do aqui-e-agora. Essa essência do aqui-e-agora a que me refiro são as sensações que vivencio hoje, enquanto escrevo esse post, quais os pensamentos e sentimentos que fluem da minha mente e a possibilidade de escolhas que eu posso fazer.

Um dos maiores desafios da nossa existência é vencer a concorrência de tudo que não favorece essa presentificação. Eu, particularmente, gosto da palavra “presentificação” por considerar um ‘presente’ estar presente nas coisas, nos lugares, nas relações e vivenciar o aqui-e-agora.  O hoje, o agora, o ano de 2016 é tudo que eu tenho agora.

Aqui-e-agora eu posso fazer boas ou péssimas escolhas, ainda que as escolhas de hoje reverberem amanhã. A vida é para ser vivida agora, nesse momento, pois é aqui-e-agora que eu, deliberadamente, escolho o que vai passar em meus pensamentos, não se tornando vítima somente, pois é aqui-e-agora que eu faço um ano velho ser novo a partir das percepções que eu construo do que é ter um ano novo.

O que eu considero fundamental para um ano novo ser novo mesmo é viver o aqui-e-agora no ano velho.

É somente vivenciando o velho que eu saberei o que é vivenciar o novo.  O que está velho em você que precisa ser novo? O velho é o que não presta mais (por isso que não gosto de chamar idosos de velhos). Ano novo só é novo se há espaço para o novo. Móveis novos, utensílios novos não combinam com casa velha caindo as pedaços. Se a estrutura da casa está podre então pior ainda. A estrutura da casa é comparada aos pensamentos e percepções, e os utensílios são os nossos cinco sentidos (visão, audição, tato, olfato e paladar). Mudanças de pensamentos e sentimentos geram novas construções de sentidos, para fazer essa obra faraônica dentro de nós é só no aqui-e-agora e por livre escolha.

Só terei a casa nova de 2017 se eu viver-aqui-e- agora a casa velha de 2016. Não construo a percepção do novo a partir do novo, só através do velho. Se eu sei o que é velho em mim, embora em algum dia até fez sentido e hoje não presta mais, eu saberei de fato o que é novo, o que serve para agora e o que faz sentido para hoje. Ouse jogar fora o que não presta mais,  mas comece por dentro tá?

Viva! Feliz 2017!

Comportamento, Morte, Sobre Gente, Vida

Amanhã é outro dia

* Por Priscilla Andrade Camilo

O amanhã sempre vem! Há momentos que parece demorar um pouco mais, mas ele vem!

O amanhã demora quando queremos que a data da viagem chegue, no entanto, passa rápido se você planeja estar com quem se ama.

O amanhã é sempre possibilidade.

O amanhã pode ser ensolarado ou carrancudo, chuvoso ou quente. O amanhã pode ser esperado ou inesperado, planejado ou surpreendente. Não importa, ele vem. Não existe condição em vida para ele não vir, só existe a condição da morte para ele não vir. É certeza que virá.

O amanhã é outro dia, o amanhã é outro momento… É outro olhar sobre as mesmas coisas, de novo, tal como o “hoje”, o amanhã também é possibilidade.

Qual possibilidade o amanhã trará?

A possibilidade de vir ou não. Se ele chegar, o que eu farei? Se ele não chegar, o que eu não fiz ou farei?

É bom tratar de pensar: E se o amanhã decide chegar? Se ele vier, há de se estar preparado e descansado, pois ele sempre traz novidades, que podem ser boas ou ruins, mas são sempre novidades!

Mas como se preparar para o amanhã, se não sei se ele virá? Só se prepara para o amanhã escolhendo acreditar que ele virá.

O amanhã é outro dia, outro olhar, outro jeito de encarar as mesmas coisas, de modo diferente. Amanhã é outro dia.